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“Jamais haverá ano novo, se continuarmos a copiar os erros dos anos velhos.” (Luís Vaz de Camões)
A actual situação económica e financeira que o País e a Europa atravessam, é a mais grave depois do 25 de Abril de 1974. Pode dizer-se que, depois da Revolução dos Cravos, tivemos períodos extremamente complicados sob ponto de vista social e político, que havia mais instabilidade, que havia mais desigualdades, que o nosso atraso estrutural relativamente aos nossos parceiros europeus era enorme, mas entre esse tempo e o que agora vivemos há uma diferença muito grande: na altura, as dificuldades não eram novidade, o povo Português estava habituado às desigualdades entre ricos e pobres, a classe média era uma pequeníssima fatia da população e não tinha peso na economia, o acesso às universidades, aos restaurantes, às férias no estrangeiro, à casa própria, ao carro, etc., estavam reservados para alguns privilegiados, vivendo a larga maioria das pessoas abaixo do nível mais baixo dos Países Europeus.
Em duas décadas tudo mudou! E mudou muito! A classe média apareceu pujante e com energia para alavancar o crescimento económico, o consumo das famílias e das empresas subiu exponencialmente e, a partir de 1 de Janeiro de 1999, com a entrada de Portugal como País fundador do Euro, a sensação que éramos ricos, que podíamos viver como os alemães, os franceses, os holandeses, os nórdicos e todos os outros povos mais ricos da Europa, tomou conta do nosso modo de vida e começamos a consumir acima das nossas possibilidades.
Alguns dizem que ultrapassar esta crise é mais difícil do que foi ultrapassar a da década de 80. É verdade, mas são realidades diferentes. Até 1989, Portugal emitia moeda (o “escudo” ainda se lembram?) e podia desvalorizá-la tornando a nossa economia mais competitiva. Até 1989, os Portugueses estavam habituados a viver com pouco e não tiveram que fazer grande esforço para se adaptarem. Até 1989, Portugal estava com índices de crescimento altos, mas partiu de uma base extremamente baixa, com um nível de vida dos piores da Europa. Hoje não é assim! Habituamo-nos a viver como Europeus e esquecemo-nos que somos, sobretudo e com orgulho, Portugueses!
Mais do que encontrar os culpados para o que se passou e nos trouxe até aqui, é necessário assumir que todos tivemos grandes responsabilidades. Ninguém pode “sacudir a água do capote”! Há anos que vivemos muito acima das nossas possibilidades, não por culpa dos bancos que nos financiaram as casas, as mobílias, os carros, as férias, etc.. Não por culpa exclusiva do Governo A, B, C ou D, mas por culpa unicamente nossa! Quem é que não gosta de viver bem? Quem é que nega um bom jantar com os amigos, um bom carro na garagem, umas férias no estrangeiro e outras mordomias para as quais não gerávamos produção suficiente?
Algum de nós pensou que isto um dia iria acabar? NÃO! A realidade é sempre muito difícil de enfrentar quando ela nos traz más notícias. E agora, o que fazer com esta crise? Ou melhor: o que fazer para vencer esta crise?
Com todo o pragmatismo que me é possível ter nesta altura, só vejo um caminho: trabalhar mais e melhor, produzir mais e melhor, poupar e gastar apenas o que é indispensável, de preferência produtos produzidos em Portugal por empresas Portuguesas, assumir que só com sacrifícios é possível ultrapassar esta fase e voltar a crescer de acordo com os padrões a que estávamos habituados.
Tenho absoluta certeza que vamos conseguir! Já mostrámos noutras épocas da nossa história que são os grandes desafios que nos fazem grandes.
No que diz respeito a Santa Comba Dão, a nossa terra, podem os Santacombadenses ficar certos que nada me vai fazer desistir de lutar para vencer este enorme desafio que é o de tornar este concelho mais forte, mais equilibrado e mais moderno!
João Lourenço
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